Perco a fome se faz muito calor ou estou muito doente.
E você?
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
A bom entendedor.
Tudo começou com uma Eisenbahn de trigo, um brie e um queijo melba com roquefort.
Enquanto isso, o funghi seco repousava e se hidratava na água quente.
Até que foi para a panela, sobre alho previamente refogado. Logo depois, vinho branco e redução.
Enquanto isso, a água da massa fervia, misturada à agua da hidratação do funghi.
A mesa já estava posta, fazia sol.
E ele ficou pronto, com salsinha fresca picada, azeite extra virgem e pimenta e parmesão, ralados na hora.
E comemos embaixo desta pitangueira.
Fim.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Pragmatismo craniano
Tem coisas que a gente repete uma e outra vez, porque simplesmente funcionam.
Será que isso nos torna eficientes ou acomodados?
Você descobre uma receita infalível (para qualquer coisa) e provavelmente não fica afim de mudar nada. Pra que mudar, se funciona?
Eu acredito em duas possibilidades, a conservadora, de não alterar uma receita se arriscando desnecessariamente e a do improviso, se faltar algum material ou se houver um desejo por ventos de mudança ou novas possibilidades.
Agora tenho forno, depois de 5 anos com um fogão defeituoso. Esteticamente ele era lindo, anos 70, mas a única vez que tentei usar o forno, labaredas assassinas ameaçaram minhas sobrancelhas. Saiu até fumacinha com cheiro de celulose. Lá ficou o fogão, de presente para uma creche espírita. E eu agora tenho um autêntico Dako, que é bom mesmo, a canção não mente. É o mais barato das lojas de eletrodomésticos, não é nada especial, mas funciona.
Aproveitando o enamoramento pelo forno comecei a assar coisas e voltei a um hábito que tinha na Argentina, o de fazer tortas salgadas. Só que lá a gente compra massa folhada pronta "La Salteña" (a mesma marca da massa de empanadas), e nem pensa em fazer a massa em casa, porque a que a gente acha no supermercado funciona. Mas na falta do produto pronto, resolvi botar a mão na massa. Perguntei para a minha amiga conterrânea como fazer e ela me deu a receita de sua mãe, eximia cozinheira.
"Prestá atención, es muy simple, y no falla!"
200g de farinha de trigo, 100g de manteiga. Mistura com as mãos. Vai virar um farelo úmido. 5 colheres de sopa de água gelada (gelada é importante). Sal, e se quiser, alguma erva (coloco alecrim sempre). Amassa, faz uma bola, deixa descansar na geladeira (ou não). Estica (eu uso uma garrafa de vinho argentino vazia), coloca na assadeira, fura com o garfo, assa uns 10-15 minutos, coloca o recheio e assa a torta até o ponto desejado.
Pronto. Muito simples e prático.
Fiz duas, a primeria com recheio meio provençal: abobrinha, beringela, cebola e tomate refogados com queijo cottage e ovo para dar a liga. Ficou boa, mas era pouco recheio, ficou magrinha e um pouquinho ressecada. Não tinha garrafa de vinho vazia, estiquei direto na assadeira, qual massa podre.
Torta provençal.
Na segunda já comecei a improvisar. Faltou manteiga, coloquei azeite, não medi a água, pus no olhômetro e a massa ficou mais fácil de esticar. Matei o resto da garrafa de Malbec e usei para esticar, ficou mais fina, leve e homogênea. Como recheio só alho porró, refogado e misturado com ovo, creme de leite, temperos e parmesão. Delicia total. Comi três dias, não sobrou nem a foto.
Isso confirma minha teoria inicial. Palmas para as coisas que funcionam, elas são ferramentas, estão ai para nos amparar, facilitar a vida, nos dar uma sensação de segurança. Mas se você quer descobrir algo novo, vai ter que se arriscar, e talvez dê tudo errado.
MK, matando a torta.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Comer em NYC, comer em casa.
Me guia.
Quero começar recomendando os guias turísticos da Publifolha (na verdade originalmente publicados pela francesa Gallimard). Eu tinha o de Paris, que além de me ajudar com suas dicas e mapas separados por bairro, me levou a restaurantes deliciosos e com ótimos preços, como o meu amado La Pré Verre, no Quartier Latin, onde viciei no incrível "Cochon de lait", do qual já falei aqui e até já fiz música, tamanha paixão.
Quando soube que viria para NY decidi comprar o guia daqui. Comprar o guia, para mim, é começar a viajar. E novamente foi muito útil! Bom, andar em NYC é muito fácil: ruas planas e numeradas, não tem como a gente se perder. A não ser que você esteja bêbado em Chelsea às 4am e não consiga entender para que lado fica o oeste. Mas ai é outro assunto.
Café da manhã delux.
Bom, seguindo os conselhos do guia fui tomar café da manhã num lugar chamado Sarabeth's, da famosa banqueteira de mesmo nome, na Amsterdam Ave., e foi maravilhoso. O ambiente meio caretinha mas isso não me incomodou. Suco de grapefruit, abacaxi e flores (que flores seriam não sei, mas era um suco gostoso, leve e refrescante). Em seguida um expresso com leite hiper bom (me lembrou o das boas padocas de São Paulo) e um omelete com cebolinha e cream cheese levemente apimentado, acompanhado de pão caseiro "7 grãos". Que ótima maneira de começar o dia! Não tenho fotos disso, infelizmente.
Foie gras dos Deuses.
Noutra noite, novamente, peguei meu guia e fui num restaurante francês no Upper West Side, o Le Monde. Preços bons e altamente recomendado. Começamos com o foie gras da casa, que foi o mais gostoso que eu já provei. Servido com a gordurinha, a gente podia ver as camadinhas de foie separadas por finas linhas de pimenta preta, sobre uma caminha de fatias de batata cozida com um azeite de oliva muito suave e torradas de pão com pistache e figo. Custou 10 dólares.
Salada de chèvre.
Em seguida, os pratos. Salada de chevre chaud (que veio frito à milanesa e não grelhado como eu preferiria), com tomates marinados, mini rúcula, alface e torradas com parmesão e pesto. E o meu: jarret de cordeiro no molho de vinho tinto, com batata, cenoura e abobrinha. O molho apimentadinho, os legumes firmes, a carne desmanchando. Uma loucura.
Cordeirinho apimentado.
Tudo isso acompanhado de um ótimo beaujolais e um litro de água com gás San Pellegrino.
Vim bão!
Estava tudo tão incrivelmente delicioso que fui obrigada a pedir sobremesa, só para checar se o padrão de qualidade se materia até o fim... Pedimos o "crêpe normande", com maçã, creme inglês e chantilly. Isso com um chazinho natural de menta digestivo. Excelente.
Pura gula.
Alguns dias antes tive uma experiência bem diferente. Um amigo nos levou até Chinatown, para comer num restaurante chinês muito engraçado. Você entrava por longas escadas rolantes, e chegando lá em cima, um enorme salão vermelho, com atendentes passando como formigas por entre as mesas com seus carrinhos fumegantes. É tipo um rodizio, com pequenos recipientes de bambu que são mantidos quentes pelo vapor que sai de dentro dos carrinhos.
O Salão.
As comidinhas.
Coisas estranhas de nome impronunciável. A maioria recheadas de porco, camarão, e às vezes porco E camarão, e também legumes. Molhos apimentados, adocicados, amargos. Pãezinhos recheados, legumes, arroz grudento com porco e outras coisas. Interessante. Algumas coisas muito gostosas, outras meio "fortes" pro meu gosto. A mistura de carnes também me é estranha. E se você não falar "Please, NO!" eles ficam te assediando com mais e mais opções. Valeu a experiência, novos sabores, ótimo preço.
Mad for chicken.
Também fui num restaurante-balada coreano em Midtown chamado "Mad for chicken". Estava muito escuro, então não tenho fotos do frango, mas eram coxas marinadas num molho de soja com alho e "deep fried". Alias, duas vezes. Sim, eles deep fritam, esperam um pouco e repetem o processo. A idéia é que a pele do frango fique fina como um papel. E fica. É bem gostoso, mas na segunda coxa, e para horror dos presentes, retirei a tão cobiçada pele. Como acompanhamento, cubos de nabo e salsão e vagens de soja cozidas, como aquelas que comemos no Japão. Ah, e a cerveja, servida em tonéis coloridos transparentes. Foi mais caro que o restaurante francês e caiu um pouquinho pesado.
...
E mais: um mexicano ótimo no Soho, um tailandês ruim no Upper West side e todo tipo de coisas ruins na lanchonete do aeroporto.
E então, finalmente, casa! Arroz integral, salada verde com tomatinho grape, omeletinho. Torradinhas, suco natural, fruta, chá. Tudo simples, leve e feito por mim. Estava morrendo de saudades de comer em casa. Comer fora cansa, já disse isso. A extravagância também.
MK, feliz.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Holy Holly
Preciso dar um crédito aqui a uma grande pessoa e cozinheira. Holly Haskin. Na verdade ela é escritora, mas está aqui para nos alimentar nas noites geladinhas de Connecticut.
Ela é simpática e inteligente, tem uma voz agradável e trabalha em silêncio. Chega no seu carro carregada de panelões coloridos gigantes e sacolas de papel com pães fumegantes. Ela faz um dos pães mais gostosos que eu já comi. O de centeio é o meu preferido. E ele chega quentinho, com uma casca crocante e macio e leve por dentro. Cozinha de tudo, usa ótimos ingredientes e serve comida boa e sem frescura. Ontem ela serviu chili, com vários acompanhamentos e Cabernet Sauvignon californiano.
Especial destaque para o guacamole. Ele estava como eu gosto, com bastante limão, e ao mesmo tempo não ficou aguado, mas muito cremoso e levemente apimentado.
Ela é simpática e inteligente, tem uma voz agradável e trabalha em silêncio. Chega no seu carro carregada de panelões coloridos gigantes e sacolas de papel com pães fumegantes. Ela faz um dos pães mais gostosos que eu já comi. O de centeio é o meu preferido. E ele chega quentinho, com uma casca crocante e macio e leve por dentro. Cozinha de tudo, usa ótimos ingredientes e serve comida boa e sem frescura. Ontem ela serviu chili, com vários acompanhamentos e Cabernet Sauvignon californiano.
Sour cream, guacamole, molho de pimenta, queijo ralado, coentro picado.
Especial destaque para o guacamole. Ele estava como eu gosto, com bastante limão, e ao mesmo tempo não ficou aguado, mas muito cremoso e levemente apimentado.
Doritos pretos (preciso descobrir por que), salda verde e novamente o sensacional guacamole.
Arroz integral cateto, pão caseiro e broa de milho.
Que saudade eu tinha do arroz integral cateto! Em casa como quase todo dia e eu estava sentindo muita falta. Acho que ela me ouviu comentando isso ontem, porque hoje apareceu com esse arroz lindo, feito à moda macrô. A broa não é tão doce como uma broa das nossas, mas junto com o sour cream, da uma "esfriada" na potência picante do chili.
O vinho, mmm, gostoso!
Ontem assisti de novo aquele filme "Sideways", e me deu vontade de ir para a California beber vinho, fazer uma viagem de carro pela costa oeste, seria bom, né?
Não me privo de nada.
Não deu tempo de fotografar a sobremesa (cookies caseiros com chocolate preto e castanhas, com café expresso), porque ela desapareceu em instantes.
A Holly faz tudo com cuidado, amor, simplicidade. Mais uma referência na cozinha para mim. E uma pessoa incrível. Não quis fotografá-la (raramente coloco rostos aqui), mas eu digo, esta por volta dos 50, é muito bonita, cabelo louro acinzentado, olhos azuis inteligentes, simplesmente elegante, postura de quem pratica yoga há muitos anos, boa de papos e risadas.
Thanks Holly, some day I get this translated for you.
domingo, 13 de setembro de 2009
Consegui!
Eu já disse aqui que sou uma negação no que se refere a doces, bolos e iguarias de sobremesa?
Pois eu sou. Não tenho "mão" para doces.
Mas ontem resolvi tentar, porque o Bonggi, que é um escultor koreano, passou tres dias preparando um jantar maravilhoso para o qual não havia sobremesa e eu não podia permitir isso.
Na verdade não foi nenhuma mágica ou grande esforço. Comprei um brownie de chocolate escuro de pacotinho, preparei a mistura e coloquei para assar. Pus até despertador para não queimar, mas queimou um pouquinho, de leve, nas bordas (o tempo da caixinha estava errado ou a temperatura do forno não era precisa).
Bom, cortei em quadradinhos, empilhei numa travessa e cobri com morangos picadinhos e previamente deixados numa marinada de açucar e limão sisciliano. Ficou bonito! Ralei a casca do limão por cima e servi com sour cream.
E não é que ficou bom! Assim, com gostinho de leve de queimado, mas cremoso e chocolatoso por dentro, e a acidez do limão deu um toque perfumado.
Só não consegui fotografar, fiquei sem bateria.
Mas definitivamente vou começar a investir em sobremesas de caixinha turbinadas.
MK, 1 quilo mais tarde.
Pois eu sou. Não tenho "mão" para doces.
Mas ontem resolvi tentar, porque o Bonggi, que é um escultor koreano, passou tres dias preparando um jantar maravilhoso para o qual não havia sobremesa e eu não podia permitir isso.
Na verdade não foi nenhuma mágica ou grande esforço. Comprei um brownie de chocolate escuro de pacotinho, preparei a mistura e coloquei para assar. Pus até despertador para não queimar, mas queimou um pouquinho, de leve, nas bordas (o tempo da caixinha estava errado ou a temperatura do forno não era precisa).
Bom, cortei em quadradinhos, empilhei numa travessa e cobri com morangos picadinhos e previamente deixados numa marinada de açucar e limão sisciliano. Ficou bonito! Ralei a casca do limão por cima e servi com sour cream.
E não é que ficou bom! Assim, com gostinho de leve de queimado, mas cremoso e chocolatoso por dentro, e a acidez do limão deu um toque perfumado.
Só não consegui fotografar, fiquei sem bateria.
Mas definitivamente vou começar a investir em sobremesas de caixinha turbinadas.
MK, 1 quilo mais tarde.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Killing me softly with pancakes
Sempre ouvi e compartilhei aquele discurso sobre a terrível má alimentação dos americanos.
Mas hoje provei um autêntico café da manhã americano, daqueles que você toma numa manhã fria em Vermont. Caseiro, orgânico e bem feito. E posso falar uma coisa? É muito bom!
Não diria saudável, mas é gostoso demais! Credo!
It's like I have an angel's pee in my tongue! (sic)
Foi assim: a moça pegou a mistura pronta para panquecas Aunt Jemima e deu uma turbinada com iogurte grego e claras em neve. Fez as panquecas com blueberries (que explodem e tingem a massa de um roxo lindo). Assou bacon no forno (foi esse o cheiro que me acordou e me tirou da cama 7h) e grelhou (fritou) as linguicinhas na frigideira.
Então montou a panqueca no prato, com salsicha e bacon ao lado, passou uma manteiguinha em cima e regou tudo com muito maple syrup.
As linguiças são muito tenras, levemente apimentadinhas e adocicadas. O bacon duro e crocante, e as panquecas muito leves, parecendo feitas de nuvem. Você morde e vem uma acidez da frutinha com o adocicado do maple syrup, a massa muito suave e amanteigada e o porquinho da linguiça. Oh my!
É xixi de anjo na minha língua!
MK, engordando visivelmente a cada dia.
Mas hoje provei um autêntico café da manhã americano, daqueles que você toma numa manhã fria em Vermont. Caseiro, orgânico e bem feito. E posso falar uma coisa? É muito bom!
Não diria saudável, mas é gostoso demais! Credo!
It's like I have an angel's pee in my tongue! (sic)
Bacon, blueberry pancakes and Vermont organic sausages.
Foi assim: a moça pegou a mistura pronta para panquecas Aunt Jemima e deu uma turbinada com iogurte grego e claras em neve. Fez as panquecas com blueberries (que explodem e tingem a massa de um roxo lindo). Assou bacon no forno (foi esse o cheiro que me acordou e me tirou da cama 7h) e grelhou (fritou) as linguicinhas na frigideira.
Então montou a panqueca no prato, com salsicha e bacon ao lado, passou uma manteiguinha em cima e regou tudo com muito maple syrup.
A foto foi tirada antes do maple syrup....
As linguiças são muito tenras, levemente apimentadinhas e adocicadas. O bacon duro e crocante, e as panquecas muito leves, parecendo feitas de nuvem. Você morde e vem uma acidez da frutinha com o adocicado do maple syrup, a massa muito suave e amanteigada e o porquinho da linguiça. Oh my!
É xixi de anjo na minha língua!
MK, engordando visivelmente a cada dia.
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